sexta-feira, 6 de março de 2015

Palmeirense corre pelo certo

Todo mundo faz o corre nessa vida. Uns mais outros menos, mas a vida é sempre um “corre”, como se fala aqui na Z/S de Sampa.

Mas nesse âmbito há um universo de escolhas e todos fazem seu caminho a cada instante. E há formas e formas de correr. Você pode correr dizendo foda-se pros outros, ou pode correr levando em conta que o que faz aos outros, faz a si próprio.

Lembrei disso por ocasião das novas regras que estão sendo discutidas em Brasília (eca) para os times de futebol – no que tange a sua administração financeira, impostos etc.

Aí ontem apareceu uma notícia de umas partidas em 1974, onde o Leão teve suas defesas de pênalti anuladas pelo Dulcídio (árbitro da época) pois haveria se adiantado. Foram várias e aquilo ficou na mente de vários, como o meu pai, que se lembrava delas anos depois ao comentar que às vezes o Palmeiras procurava ser muito correto e ser assim no Brasil é dançar uma outra música, que por vezes te deixa lá atrás na fila.

Só fui entender o significado daquelas palavras anos depois no choque de realidade da adolescência que se depara com a filhadaputice reinante no mundo. Só que aí eu já era palmeirense. Palmeirense demais pra abrir mão do caminho que havia escolhido do bem, do certo, do que é direito.

Sem ser caxias nem coxinha, dentro das bagunças e trapalhadas eu via o Palmeiras daquele começo da década de 80 como Jedis (assisti Gurerra nas Estrelas no cinema em 79) que eram muito melhores que os outros mas estavam levando um cacete da Federação, do Império do Mal.

E o Império do Mal era uma parte do mundo exterior, a bem da verdade pra mim com 8 anos era qualquer time que viesse nos enfrentar. Pois o Palmeiras era o time do bem, dos Cavaleiros Iluminados que trupicavam por conta das injustiças e da filhadaputice do mundo. Mais ou menos assim.

Pois bem, a gente cresce e as ilusões desaparecem. Assisti o filme “O Exército de Brancaleone”, uma paródia de um cavaleiro “italiano” da idade média (recomendo) e achei o “palmeirense” muito mais próximo daquilo, por sua humanidade, falhas naturais mas no fundo um grande e puro coração.

Só que mais tarde, já adulto ao conhecer melhor a torcida e o clube, pude ver a linha que conduzia aquela relação de infância. Uma linha de conduta, de comportamento que de forma sutil permeava o jeito de agir do palmeirense.

Hoje, quando os clubes são cobrados por maior transparência e “austeridade” em suas finanças, o Palmeiras está na frente com contas mais que abertas. Todos os times tem dívidas mas o Palmeiras já vem as equalizando a um bom tempo, o que não é barato não.

Correr num campeonato com regras diferentes pra alguns não é fácil. E isso sempre houve aqui. Para privilegiados com bons contatos (amigos do Rei) ou pra quem for malandro e jogar a ética pro canto. Custa e muito ser honesto.


Se o Palmeiras – ainda que num contexto semelhante – se destaca dos rivais por uma situação financeira equilibrada é por consequência dessa postura, de quem corre pelo certo (pois sempre esteve sujeito as penas) e até por isso, tem a paixão e a condição financeira de recolocar o time em seu lugar de origem, de protagonista das competições que participa. Do presidente ao torcedor de balcão. Essa é a nossa torcida, que corre pelo certo, que vive com paixão.  

6 comentários:

  1. boa tarde Galuzzi, te acompanho desde os tempos de globoesporte, gosto dos seus textos.

    Assim como você pra mim o Palmeiras é o time do bem que faz o certo e assim mantemos nosso orgulho intacto ao contrario de outros.Nossa torcida leal e apaixonada não atoa é a que mais participa do dia a dia do Palmeiras.

    todos juntos sempre.

    abraço

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    1. É isso aí Ronei, sinta-se em casa (e pode convidar avisar a patota do GE que é nóis que tá aqui...). Apesar de pouco explorado, acho que esse conceito permeia a imensa maioria de nossa torcida, até como contraponto a vizinhança. All together now: VAMOPALMEIRAS!!!

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  2. Fala fratelada!
    Saudaçoes a família palestrina!!!
    Nós sempre fomos perseguidos devido a isso, por sermos pioneiros em tudo, é esse pioneirismo incomoda.
    Seja com contratos com fornecedores, multi-nacionais etc. sempre inovamos.
    Não estou dizendo que o Sr. Nobre é um gênio na adm. do futebol mas ele conseguiu antever que, ou os clubes reduziam os salários (que diga-se de passagem ainda são altos) ou era fechar a porta! sofremos muito devido a isto e agora colhemos o fruto. Só acho que contra o Palmeiras sempre todos são mais duros.
    Queria ver se ano passado tivesse sido o Valdivia a dar cabeçada em juiz se ele não era deportado do Brasil, mas como foi o jogador era dos queridinhos da mídia não deu em nada.
    Digo sempre que é todos contra o Palmeiras, é quanto mais eu sinto que isto acontece com boicote de mídia, juizado e apito maior fica o amor por estas cores.

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    1. Fratello, o Palmeirense nutre uma paixão fruto dos valores que construíram esse clube - e que a bem da verdade ajudaram a formar esse país. Vc já imaginou o que seria da cidade de São Paulo se não fosse a imigração italiana? Um rincão caipira do século XIX isso sim. Personalidade, irreverência, estilo, cultura, ética, coragem e um pouco de anarquia que ninguém aqui é "pau mandado". ISSO É PALMEIRAS. Espalha por aí. É nóis!

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  3. Penso isso do Palmeiras há muito tempo. Mas uma palavra do seu texto o fez mudar da cor alvi-verde para a alvi-negra, o "eca" para a minha cidade. Imagino que seja pela política, nem por isso seria correto usar esse termo, pois Brasília só elege 11 dos políticos federais (8 deputados e 3 senadores), ou seja, as outras centenas de canalhas corruptos são enviadas pelo resto do Brasil (tem mais políticos paulistas do que brasilienses em Brasília). Conheço São Paulo e não vou fazer comparações entre as duas cidades, mas Brasília e o DF são um reduto de palmeirenses. Se você andar por ela perceberá ao ver a quantidade de camisas nas ruas. Caso eu estiver enganado sobre sua colocação, me desculpe o comentário e peço para formular com mais clareza sua análise. Continuo um assíduo leitor do seu blog. Saudações Palestrinas de um Brasiliense com sangue mineiro, nascido no Gama e que mora em Goiânia.

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  4. Marcelo, estás certo. Generalizei de forma obtusa. Por favor, queira desculpar o lapso intelectual que no meu caso é recorrente... rs. Usei "Brasília" de forma metafórica, figurada, jamais literal. Mesmo porque em termos de corrupção acho que ninguém bate a maior meretriz capitalista desse país, a cidade onde moro, SP. No caso de Brasília, foi apenas uma referência à um centro de poder e jamais ao povo que trabalha e constrói o país, a despeito da canalhagem que o assola diariamente. Grande povo dessa imensidão verde no coração do Brasil. Saudações amigo!

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