quarta-feira, 30 de março de 2016

Saber viver, saber torcer

Já vi e vivi trocentos times, técnicos, diretores e presidentes no Palmeiras. Um mais podreira que outro. Amantes irrestritos do clube, verdadeiras antas administrativas. Técnicos? Todos... novatos, experientes, paizões, acadêmicos. Times? Dos mais limitados aos mais bem pagos, e nem sempre campeões.

Baseado nessa experiência, seria leviano se ignorasse as dificuldades que enfrentamos – durante todos esses anos – com as mais variadas administrações, o que nos leva à constatação inexorável – e dolorosa – de que o problema poderia estar mais em algo interno ao nosso comportamento do que necessariamente à qualidade dos profissionais que nos servem – do jogador ao presidente – como habitual e insistentemente propomos.

Por isso venho há anos repetindo que somos cegos pela paixão. Incapazes de perceber que o problema está muito mais – do que gostaríamos – no Palmeiras em si, do que em quem por lá passa, ficamos condenados a repetir os mesmos erros interpretativos de sempre.

Quem aqui pode citar os maiores presidentes do Palmeiras? Estou falando com a turma de menos de 50 anos de idade. Puxem pela memória e quem vem? Um vácuo... deixa ajudar vai. Paschoal Byron Giuliano (grande dirigente da década de 70 que voltou nos 80), Delfino Facchina (pai do Carlos Bernardo Facchina Nunes, que trouxe a Parmalat em 92), Higino Pellegrini, Dante Delmanto... nomes que avançam ao passadoa, haja vista o hiato às novas gerações.

O que quero dizer é: se a atual administração é ruim, qual foi a boa? Temos na presidência um cara com paixão, dinheiro e coragem. Conseguiu grandes contratos. Colocou os melhores profissionais pra compor a comissão. Inovou na gestão. Como é que podemos ser cegos à isso? Ao deserto de competência que nos cerca (vide últimas décadas!)?

Consideradas e observados as falhas – criticar a presidência do Palmeiras hoje é dar um tiro no pé, uma paixão que nos cega nos deixa incapazes de ver a dificuldade que existe em conseguir bons presidentes em nível administrativo. Além disso, cada um administra sob condições herdadas e possíveis. E as do Nobre tampouco foram boas, pelo contrário!

Sobre o Mattos, veio pro Palmeiras badalado, tendo convicção de que sua passagem seria antessala à seleção. Isso não é ruim necessariamente! Ele sabia que teria todos os holofotes e procurou montar o elenco do Palmeiras com a maior qualidade possível – dentro do orçamento – seguindo inclusive a orientação de profissionais contratados pra fazer a leitura de desempenho geral de jogadores, depois usada pra fazer a aproximação.

Não boto a mão no fogo. Se nem o Marcão – segundo o próprio – foi santo, quem mais o seria? Quero dizer que por mais que um “diretor de futebol” queira contratar exclusivamente por critério técnico, vai se condicionar além do orçamento, à forma que o mercado age.

Ou seja, contratações de um mesmo empresário levantam suspeita de ficarem tecnicamente viciadas, um problema eterno do futebol. Mas e aí... aconteceu isso mesmo? E até onde o Mattos poderia ou conseguiria ter feito diferente? Tivemos nós antecessores que teriam feito melhor na mesma situação?

Não sou dono da verdade. Talvez o cego seja eu, observante apenas ao renitente e impertinente comportamento humano da culpa alheia, menos dolorosa que a autoprofilaxia. Mas ainda acredito piamente que nossa paixão pode ser menos destrutiva, desobstruindo nossa visão limitada a períodos tão curtos de tempo e a sentimentos viscerais que ignoram a razão.

12 comentários:

  1. Acho que estamos em um ano de eleição e muitas das críticas que se escutam por aí têm que ser filtradas, sempre há um interesse por trás delas.
    Principalmente se vindas de alguma de nossas "torcidas orgnizadas"
    Abraço

    ResponderExcluir
  2. Fala Galluzzi, Eleições no verdão e pior que eleição para presidente do Brasil, mas as criticas feitas sao direcionadas a um so erro, DPTO de Futebol, Sr Cicero, e o Sr. mega gestor Alexandre Mattos, não estou dando opinião, to falando sobre fatos e números comprovados, o elenco e mediano, Egidio, Roger Carvalho, todos os argentinos, Jaílson goleiro, Lucas contaminado pelo virus AedesEgidio, me explica a renovação de contrato do Luan!!. Empresta e dispensa uns 10 desse elenco ai, enxuga pra 30 atletas. Concordo que o Paulo e o melhor presidente que eu vi no Palmeiras, nao questiono as decisões dele, acho que ele deve interferir mais e cobrar esses profissionais como nosso Pop Star Mattos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mineiro, cá estamos nós culpando o Mattos. Ok. Me diga aí um nome que poderia ter feito (com base em fatos) melhor.

      O Mattos não é estrela de nada, a mídia o coloca assim e nós compramos a ideia, irados pelas derrotas. Reconheço que houve contratações esdrúxulas. Mas me diga: quando é que tivemos um time sem esse tipo de "reforço"? NUNCA! O que quero dizer é que não adianta ficar malhando o cidadão se as opções alternativas são ainda piores!

      Deveríamos é ter a consciência que desde que mandamos o Oswaldo Oliveira (não estou defendendo "o técnico" mas "um trabalho a longo prazo") o time não conseguiu padrão. Por que? Por a cada porra de 8 meses a gente troca de comando!!!! NENHUM TIME consegue jogar bem assim... e ao invés de termos essa percepção, ficamos aqui caçando bruxas que só existem em nossa lógica. Eu não aceito isso. ABs!

      Excluir
  3. De má gestões em má gestões, o Palmeiras patina nesse lodo que engripa suas engrenagens. Tudo é gestão. a escolha dos diretores, comissões técnicas, equipe de apoio, jogadores e até a cornetagem interna que nunca deixará de existir, cabe ao gestor geri-las e tirar o clube do atoleiro. Senão não esta sendo uma boa gestão, o máximo uma politicamente correto direção. Não cabe a um gestor olhar para traz e apoiar-se na falta de competência ou erros das gestões passadas. Só para comparar, estamos assistindo isso na história atual do Brasil "A corrupção não foi inventada por nós". (Foi só um exemplo, não estou chamando a gestão do Palmeiras de corrupta)
    Se o sistema não deixa o gestor andar, é porque não está gerindo como deveria. Ou mata ou morre, por mais boas intenções que tenha. Também estamos vendo até agora com muita luz na história atual do Brasil um juiz mostrando que é preciso matar para sobreviver.
    Não se trata se o o presidente do Palmeiras seja o melhor e mais bem intencionado dos ultimos 50 anos, se trata do choque de gestão para mudar o rumo da história do Palmeiras que não foi feito. este é o único caminho. O bom time, boa postura em campo, técnico mostrando sua competência, vitorias, campeonatos levantados e torcida apaixonada mas com a razão norteando as atitudes são consequência.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato PG é a mesma coisa! Aqui no Brasil por mais que haja uma gestão errada, sabemos que só mudanças bem maiores (reformas etc), podem arrumar a situação de forma permanente e não só a expulsão da infeliz da presidente... no Palmeiras é o mesmo. Enquanto não tivermos um ambiente com menos fogo amigo seja lá quem estiver, vai suar sangue pra conseguir qualquer mísera vitória. Valeu!

      Excluir
    2. Se o sistema não deixa o gestor andar, é porque não está gerindo como deveria. No Palmeiras nunca teremos um ambiente com menos fogo amigo. Vai caber ao presidente como lidar com isso. Ou mata ou morre, como disse antes.
      Não vou me alongar aqui, isso fica para uma outra hora, mas embora o Paulo Nobre foi o menos pior dos últimos. Não faz uma boa gestão não.

      Excluir
    3. Grande PG! Olha amigo, eu gostaria de acreditar na sua frase inicial. Mas me soa como um academicismo que não encontra respaldo na realidade. Já vi casos de pessoas que ocuparam o cargo e tiveram simplesmente que se adaptar ao "sistema" em vigência (capice?). Senão simplesmente eram espirradas dali.

      No sentido de mudar essa condição NEFASTA do fogo amigo, viste que o prisa do CD (Pompeu de Toledo) já encaminhou aos conselheiros um resumo inicial das propostas de mudança do ESTATUTO. E Nelas há um CÓDIGO DE ÉTICA, que visão blindar a imagem do clube contra conselheiros que bombardeiam a diretoria vigente por interesse próprio. Quem resolveu falar contra? O Frizzo, parça do Mustafá, alegando que deve haver "transparência"... ora... transparência DENTRO DO CLUBE mas não pra fora, onde a notícia é usada não pra esclarecer, mas pra vender e minar o poder de alguém.

      Temos que alongar isso sim depois, como não? Chopada no Palestra... rs. aí a gente coloca na mesa os prós e contras das gestões, desde o Ferrucio Sandoli! Vai Palestra!!!! rs. Abs!

      Excluir
  4. Galluzzi,
    Vamos com calma. O Paulo Nobre no primeiro mandato foi uma lástima, só fez besteiras. No segundo mandato joga para a plateia e posa de salvador da pátria. No modelo implantado por ele não haverá continuidade sem ele e eu não classifico isto como um bom gestor.
    O Mattos, por sua vez, tem errado demais nas contratações. Por exemplo: Se fosse feita uma pesquisa interna, nenhum palmeirenses aprovaria a contratação do Roger Carvalho, mas ele foi contratado por ser mais um jogador do Uram. Foram 8 contratações neste ano e todas para a reserva? Não tem nada de errado nisto?
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu estou calmíssimo Ítalo... tanto que já comprei o ingresso pra domingo, pra descarregar minha calma lá... rs.

      Sobre a presidência, vamos lá... não sei os critérios que vc usa pra classificar "uma lástima", mas com certeza não está considerando a equalização da dívida do clube que consumiu 2013 e 2014 onde tivemos o que era possível pra nossa pindaíba. Sobre sua sucessão vc está tirando sua conclusão de uma previsão com mais de 6 meses de antecedência, é isso? rss... prefiro aguardar.

      Sobre o Mattos, concordo com a falta de eficiência, mas pergunto até que ponto ela não foi causada justamente pela troca de técnico a cada 8 meses? Começamos 2015 com o Oliveira e depois da final contra o Santos foi dispensado. Terminamos campeões em 2015 e 2 meses depois dispensamos o treinador. E agora chegamos à conclusão que o problema são os jogadores... é sensacional. Daqui a pouco a gente começa a gritar "volta Mustafá!"...

      Apenas completando, não estou dizendo que a presidência foi ou é perfeita, pelo contrário! Apenas que NOSSO PADRÃO SEMPRE FOI PIOR AINDA. Diga NOMES que me desmintam. Abs.

      Excluir
    2. Galluzzi,
      É muito provável que você tenha chagado à conclusão que o problema são os jogadores. Eu certamente é que não cheguei a esta conclusão. Só estou criticando a forma como o Mattos vem contratando. Veja que nenhum dos oito contratados neste ano eram titulares mesmo com o MO.
      Também não gosto muito da ideia de trocar treinadores em curto intervalos de tempo. Penso que também neste quesito o Mattos esteja pecando por não utilizar critérios de avaliação sólidos. Foi muito mais oportunismo do que qualquer outra coisa. Fosse eu o Mattos jamais contrataria o Cuca, que veio de um mercado sem a menor tradição de futebol e, mesmo lá, não fez um bom trabalho. Portanto, não evoluiu.
      Quanto ao PN ainda penso que ele joga mais para a plateia do que pro clube, mas respeito sua opinião.
      Abraços

      Excluir
    3. Caro Ítalo, ainda precisamos brindar nossa dialética com uma chopadas no Palestra! Então, te pergunto: haveria hoje no mercado alguém que tivesse tanta credencial pra ser diretor de futebol quanto o Mattos? O Palmeiras não foi atrás do que de melhor havia? Então o que nos leva a pensar que outro estaria fazendo melhor? Esse é o ponto...

      Mas concordo plenamente que o trabalho dele pode e deve ser questionado, só não na intenção de tirá-lo agora de lá.

      Sobre o Cuca, temos que avaliar tbm o que estava disponível no mercado. Quanto custaria (se é que aceitaria) um Sampaoli? De fora é fácil falar, traz esse ou aquele, mas sem o contexto das negociações não podemos avaliar se o que foi feito foi bom ou ruim, entende? Como dizia nossos avós... "da missa não sabemos o terço!"

      Sobre o PN, não acho que tenha essa pegada "populista" não. Sem dúvida erra. Mas o importante é justamente sabermos separar o que é bom (e tem muita coisa nova e boa) e o que não foi, pra não correr o risco de jogar fora por completo um trabalho que teve inúmeros méritos. Né não? Abs!

      Excluir