segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um longo caminho à frente

Fratellada... a demora no post é devido ao tempo pra reflexão, que sempre evita os excessos perigosos. Assim podemos ter uma visão melhor do acontecido.

O maior problema do Palmeiras hoje é reconhecer o quanto ainda está longe de um futebol que possa se considerar apto a vencer o campeonato. De repente pretendeu-se “seremos campeões”, um discurso forte que até foi respeitado, mas cobra seus tributos. A confiança é importante. Seu excesso é uma desgraça.

Eu mesmo estava empolgadão com o quarteto Dudu, Roger, Jesus e Alec. Foi à campo novamente, frente a uma defesa mais sólida e deu com os burros n'água. E olha que é “sólida” ma non troppo...

Agora temos a novela e “rusga” entre o Cuca e o Dudu. As vezes o jogador fica meio marrento mesmo, mas críticas pessoais geralmente ocorrem quando algum jogador está muito banqueiro e precisa ser posto de volta à terra.

O problema não é o Dudu jogar no meio-campo. O problema é fazê-lo SOZINHO. Ficou com marcação ferrenha e muitas vezes sem opção de passe, com companheiros distantes. Por isso não jogou bem.

A aproximação dos jogadores quando temos a posse de bola é fundamental. E na defesa, a marcação ainda colapsa na formação setorizada sem cobertura. Perdemos a ação ofensiva nas laterais e a marcação dos homens de frente ficou facilitada. Pra falar a verdade ninguém jogou bolhufas. Com exceção do Prass, mais uma vez, monstruoso.

Mas não é hora de desespero algum. É justamente agora que precisamos ter tranquilidade pra entender que há muito a corrigir e que nenhum discurso de “campeão” é possível antes da 38ª rodada. A ordem é falar menos e trabalhar mais. Bora Verdão.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

VITÓRIA!!! E belas jogadas...

Quem não foi perdeu. O público mirradinho de 28.000 teve o prazer de assistir um moleque brilhar. Seu nome, Róger Guedes. Esse joga. Putaquelospariles. 19 anos tem a criança. Mas faz jogadas de gente grande. Caceta!

Ontem no segundo tempo tivemos um quarteto mágico no Parque. Dudu, Guedes, Jesus e Alec. Madrecita, que velocidade, que vontade, que ofesividade!!! Bem, durou 20min., agora é só fazê-lo constante...

Em contrapartida vimos o despencar de estrelas. Cleiton Xavier simplesmente não se movimenta como deveria, ficando distante da jogada sem oferecer opção ao passe. Aí lascou-se. Moisés que entrou em seu lugar, pode até não ter a técnica que o Cleiton um dia teve, mas compensa na disposição. Mas que chuteiras horríveis hein Moses! Tá limpo vá....

Laterais: Egídio vinha se recuperando e ontem foi horroroso. Grazie Dio temos peças de reposição. Tchê Tchê é bom. Tchê Tchê é versátil, começou na volância e depois foi deslocado à lateral esquerda. É daqueles que ainda vai melhorar muito com a boa orientação do treinador.


Gostei da atitude de entrar com o Matheus Salles, que vinha jogando partidaças e só porque teve 2 más atuações já tinha a cabeça a prêmio. Foi lá, pode não ter feito sua melhor partida mas mostrou personalidade. O Jean parecia muito empolgado em dar resposta ao ex-clube, mas foi bem.

Na zaga, não há como discutir a qualidade do Victor Hugo ou do Tiago Martins. Mas tem horas que sofremos apagões!!! Só não sofremos gol porque o Fluminense é ruim... muito ruim. Mais para time subsidiado pelo (extinto) Governo da Guanabara. Aliás, uma ótima sugestão pra troca de nome. De Fluminense pra Guanabara F.C. Mas aí é pobrema deles.

Mérito também às substituições do Cuca (Egídio e Xavier, depois Jesus pra garantir o resultado), pontuais e eficientes. E uma ode ao Fernando Prass que fez uma defesa ESPETACULAR só pra variar. O cara é um monstro.

Nossa preocupação agora é pensar no clássico de domingo e usar o prélio pra confirmar posições e alternativas táticas pra lateral, pro meio, ataque... essa formação com o Dudu armando, Alec de centro, tendo Jesus à esquerda e Roger à direita é porreta! Tão porreta que pode até ser utilizada como “arma” num segundo tempo acelerado, como tivemos ontem.

Eco, fratelli!!! Parodiando o excelente Paulo Antunes da ESPN, TEMOSUMJOCO!!!! TEMOSUMTIME! E TEMOS UM OBJETIVO!!! FORÇA FAMÍLIA!! SCOPPIA PALESTRA!!!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Pedalou, dançou. Surge uma nova mentalidade

E como todos sabemos, de boas intenções o inferno está cheio. Sujeito de palestrinidade inquestionável, o Belluzzo conseguiu, com seu viés desenvolvimentista amplamente apoiado pela torcida (gastar pra arrecadar) ir parar na UTI. Sim, porque quando ele viu que toda dinheirama gasta não foi capaz sequer de nos levar à Libertadores de 2010, quebrou. Aliás, vendo o Palmeiras quebrado, fez o mesmo.

Isso mostra como no futebol não basta ter boa intenção. Tem que ser malandro, ter muita coragem pra peitar a torcida e nunca, jamais deixar o dinheiro falar sozinho. Caso contrário teremos sempre um bando de mercenários (como foi em 2010 quando o time parou de jogar após a chegada do Vagner Love com um salário alto) ao invés de um time de futebol (que luta por algo além de sua conta bancária).

Belluzzo, compartilho da sua paixão. Eu estava lá em 2003 quando foste derrotado pelo Mustafá... torcendo por você. Pois é... não deu aquela vez. Mas deu em 2008 e agora deu no que deu, e você deu mal. Sacanagem... tenho certeza que foi muito mais ingenuidade do que intencional. Mas é bom que saibamos... um presidente bem intencionado mas ingênuo pode causar um grande estrago.


Tirlones 
E o que falar do nosso Tironinho, Banana de Pijama? Presidente Old School, teve uma grande escola, mas deve ter feito o que todo dirigente Old School faz: acreditou nas pessoas erradas, perpetuando um modus operandi que foi o responsável pela falência de quase todos os clubes de futebol, que hoje RASTEJAM para a televisão com o pires na mão.

O Palmeiras é o primeiro clube a ter tranquilidade pra negociar seu contrato televisivo sem abaixar as calças. Mérito do Nobre? Mérito nosso de termos um presidente com essa capacidade e culhão pra investir com tamanha confiança.

Mais importante do que as pessoas, é mudar o SISTEMA que permite a pessoas, extremamente bem intencionadas, acabarem sendo responsáveis por imensos descalabros administrativo-financeiros que, a olhos nem sempre tão claros, passam despercebidos e ano a ano corroem e comprometem a saúde financeira de uma equipe, que é de onde, de forma prática, vem sua força em campo.

É hora de mudança. É hora de transparência. É hora de competência!!!! PALMEIRAS, MOSTRA O CAMINHO!!!! FORÇA VERDÃO!!! ACREDITA, FAMÍLIA!!!

Somos nós que não respeitamos o futebol?


Gostaria de começar esse post com o final de outro. Um jornalista foi à final do campeonato alemão e voltou deslumbrado (se fosse com tudo pago eu também voltaria), coroando sua visita com a frase acima, dita a nós. Pelo menos é isso que ficou claro no post, caso contrário poderia ter falado: “Façamos como os alemães”, numa terceira pessoa que seria muito mais apropriada do que o dedo acusatório apontado ao esmo.

Caro jornalista de frases de efeito: se tem algo que o torcedor comum quer (não me confunda com assassino) é que tenham respeito pelo esporte que ele tanto AMA e PAGA. Pagamento inclusive de seu salário e de sua “deslumbrante” viagem à Alemanha. Somos NÓS que pagamos toda essa palhaçada e ainda temos que ouvir groselha de “respeitarmos” o futebol? E digo mais: NUNCA PAGAMOS TÃO CARO!!!

Acorda filhão!!!! Há décadas o futebol de tornou um mero produto midiático, explorado “ad nauseum”! Há décadas grandes COORPORAÇÕES DA MÍDIA tem o futebol NO BOLSO, pra usá-lo da forma que melhor lhe convir!

Há décadas somos reféns de empresários mercenários que NADAM DE BRAÇADA, pondo e tirando seus jogadores dos times sem UM PINGO DE RESPEITO ao torcedor, de quem eles RIEM DA CARA e o sr. ainda acha que somos NÓS, torcedores, que precisamos respeitar o futebol?

Se queres falar de violência, entenda que ela nada tem a ver com o futebol é sim com a VIOLÊNCIA HUMANA que acontece PAR e PASSO todo o dia. Isso é problema pra POLÍCIA que, na INCAPACIDADE DE RESOLVÊ-LO (tal como a Alemanha ou Inglaterra conseguem), nos relegam com uma sociedade absurdamente violenta, violência essa que logicamente invade todas as esferas sociais, ainda mais num esporte popular que se alimenta de rivalidade.

Só pra finalizar: FILHÃO, não somos nós que temos que respeitar o futebol. Quem deve respeitá-lo são justamente aqueles que RECEBEM DINHEIRO dele (assim como você!) e não aqueles que PAGAM pois esses já o fazem!!! E não me venha com violência pois isso é caso de polícia. Isso não é caso de “respeitar o futebol” e sim “respeitar o ser humano”.

Empresários, jogadores, dirigentes, imprensa e, repito TODOS AQUELES QUE GANHAM DINHEIRO COM O FUTEBOL, esses sim devem ser esculachados por terem transformado o futebol brasileiro num sabonete barato de gôndola de supermercado, ausente de alma mas recheado de “splashes” de efeito. E nunca, jamais o torcedor, justamente aquele que clama por respeito. Ao seu esporte favorito. Ao seu dinheiro, que paga toda a festa.

E também seria bom termos jornalistas capazes de enxergar além de suas frases de (d)efeito. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Equilíbrio e reação

Campeonato Brasileiro marcado pelo equilíbrio, já que o primeiro colocado, o grande (grande mesmo, sem sarcasmo) Santa Cruz, está só a 1 ponto a frente.

Tão importante quanto a vitória é o poder de reação, a força que o time apresenta após um placar em desvantagem. Começamos bem contra a Ponte Preta. Aí o meio campo amoleceu, a defesa se dispersou e levamos 2. Só fomos acordar lá pro segundo tempo.

Sinceramente, o problema de meio campo do Palmeiras não será resolvido com apenas 1 jogador, mas com um sistema de recomposição mais rápida. Pra lá de ousada a substituição do Cuca, tirando um volante de contenção (Salles) pra entrada de um meia ofensivo (Dudu).

Podemos (e temos opções) mexer nessa volância. Salles vinha jogando muito bem, mas nessa última ficou perdido. TchêTchê pela lateral vai bem, mas também ficou devendo. Mas o peso maior vai sobre o Cleiton Xavier, que precisa buscar mais o jogo sob risco de desaparecer na marcação! Aí lascou-se! E se nesse mesmo dia a zaga também bater cabeça, aí é que não há chance de vitória. Foi isso que aconteceu.

Na linha da ofensividade como arma de defesa, seguramos os contra-ataques e até encurralamos o adversário. Após o gol, poderíamos até empatar, mas não havia mais tempo. A solução é levar essa pegada pra quarta-feira contra o Fluminense. Jogo em casa é imperdível, em todos os sentidos.


Fica a lição. Sem um time que se recompõe rápido, que joga próximo e livre da marcação, qualquer discurso sobre vencer campeonato não será mais do que palavras ao vento.

terça-feira, 17 de maio de 2016

A Família Palmeiras

Chego ao estádio e vejo lá uma faixa enorme atrás do gol: “www.FAMILIAPALMEIRAS.com.br”. “Ae sim!” - penso eu - “finalmente nosso diferencial sendo melhor explorado!”. Vou lá, entro no site e o que vejo? Phishing para banco de dados...

Não tenho nada contra campanhas de marketing que promovem o cadastro de pessoas (informações valiosas à grandes empresas) oferecendo “descontos” em produtos. É um “phishing”, uma pescaria com cara de ação-conceito. Até aí tudo bem, mas tem que ir além e oferecer conteúdo consistente não apenas ação de marketing sabonete, daquelas que serve pra todos, só muda a cor!

O que incomoda é a ausência do conceito melhor usado, ficando apenas no “enlatado” tradicional. “Família Palmeiras” é um conceito que deve ser abraçado, adotado, enfatizado pelo clube de forma OFICIAL.

Palmeiras é o time da família brasileira, da classe média tradicional, de grande herança cultural, que corre pelo certo, que luta, trabalha e tem muito orgulho das conquistas dele advindas! Que não se vê como elite, nem povão, nem coxinha nem mortadela. Aqui é a Família Palmeiras!!!

Esse conceito, tão nosso, é grandíssimo! O conceito “Família Palmeirense” não pode ficar restrito a um domínio na internet pra promoção de descontos! Deve sim ter CONTEÚDO, princípios e valores que orientem a torcida!

Ao entrar no site, vê-se logo de cara um link “manifesto”, que ao ser clicado leva à um texto pra lá de genérico. Não sou da coordenação da campanha. Mas se houvesse um pouco mais de espírito além da mera intenção mercadológica, bem que poderia levar a algo desse tipo:


- MANIFESTO FAMÍLIA PALMEIRAS -
Todos os times tem torcida. E toda torcida forma um grupo que compartilha preferências em comum. O Palmeiras não foge da tradição, mas não tem apenas uma torcida. Possui uma família. Família, pois agrega pessoas diferentes aos mesmos valores e costumes, com vasta herança cultural e rica história de conquistas. E é a certeza de ser única, mas nunca estar só, que une toda essa gente mundo afora.”

A FAMÍLIA PALMEIRAS:
Somos uma mistura de povos. Somos apaixonados. Corremos pelo certo. Temos orgulho de nossa herança cultural. Somos lutadores, trabalhadores, com personalidade e estilo próprio. Artistas e acadêmicos. Irreverentes, barulhentos, críticos e as vezes até inconsequentes. Mas bem educados e com um enorme coração. Não nos pretendemos elite nem nos contentamos com pouco. Não tememos queda, nos reerguemos. Não nos impede o obstáculo, construímos nosso caminho.

Cantamos e vibramos, rimos e choramos, brigamos e comemoramos sendo os mais humanos nas mais humana das atividades: torcer! Além das vitórias. Além das conquistas. Que se não podem ser constantes, que assim sejam nossos valores, esses sim, eternos, como nossa torcida. Que segue junto. Que segue unida. Por tudo isso que é o Palmeiras, por tudo isso que é sua vida.”

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Surge uma nova equipe!

Empolgação. Esse é o sentimento do palmeirense hoje. Qual foi a última vez que iniciamos um campeonato sapecando logo 4 em cima do adversário? Efeito Cuca! Tenho que reconhecer que o time agora está com uma cara diferente. Por vezes a saída de alguns jogadores é mais proveitosa do que a chegada...

Cleiton Xavier não precisa apresentar grande genialidade. É só continuar a fazer o meio-campo fluir que o resto já vai se ageitando. Se que o Atlético-PR estava na ressaca do seu título estadual, mas ouso dizer que mal viram a cor da bola!

Podemos ter o Mina pra zaga, mas o Thiago Martins está representando a função, quero ver tirar o moleque! Melhor ter opções do que a falta delas. As laterais (TchêTchê e Egídio) já estão bem diferentes de meses atrás.


E o ataque... rápido e insinuante, haja vista a confiança que o Gabriel vai, aos poucos, ganhando. Roger Guedes também é pura velocidade e o próprio Barrios parece estar encontrando melhor seu espaço em campo.

O Cuca é a alegria da torcida. Palmeiresnse e competente, comeu o pão que o diabo amassou em sua chegada, mas calejado, segurou o tranco e já começa a ter os frutos de sua acurada percepção.


A torcida não poderia pedir um começo melhor. Num campeonato onde só interessa sua posição na 38ª rodada, como o Cuca bem disse, temos outras 37 batalhas à frente. No gramado, onde a luta nos aguarda. Família Palmeirense, cantando junta, unida!!! Avanti!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Audax. Deixa sua roupa mais branca!

Fratellada, gostaria de abordar uma pequena questão em voga nesses dias. A audácia de um time pequeno e sua proposta de toque de bola, de princípios estéticos que remetem ao futebol arte, à ofensividade e em última análise, ao espetáculo. Que é o que o povo quer ver. Que é o que vende. Que é para o que a imprensa baba ovo.

Pois bem. Interessante e válida a proposição do Audax. Mas só é possível para um time do tamanho do Audax, que não tem torcida alguma fazendo pressão por títulos. Títulos aliás que o time não tem a menor preocupação de angariar nesse momento, focando sua atividade, basicamente, em revelar e vender jogadores. E faturar com isso.

Não que os clubes tradicionais escapem muito desse contexto. O fato é que não foram criados como “caça-níqueis” mas como representantes de imensas coletividades que comemoram títulos, não a venda de uma revelação ao futebol europeu.

Pra ganhar títulos o dirigente tem que ir além do pensamento puramente financeiro e bancar situações onde a força da equipe se põe à frente do retorno de investimento. Isso sim é audacioso. Um time bancando globetrotter pra ser vendido à baciada no fim de cada campeonato, é uma simples estratégia de marketing. Com nome de sabão em pó.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O orgulho de correr pelo certo

Legítimo “filho da fila” (comecei a torcer com 5 anos, em 1977), aprendi cedo que torcer pelo Palmeiras exigia uma compreensão maior do que a habitual. Num deserto de vitórias, aprende-se a sobreviver com a umidade rarefeita no ar. É quando se percebe que essa “água vital”, essa umidade invisível, é a verdadeira essência da vida.

Nossa água vital, aquela que nos alimenta ao simples respirar, é o conjunto de valores que nossa torcida possui em comum. É nele que reside o substrato essencial, o amálgama que une a coletividade. Todas as torcidas o tem. Umas de forma mais explícita, outras nem tanto.

No Palmeiras, a herança cultural familiar sempre foi predominante. O orgulho pelo cultivo de uma vida baseada em valores nobres – trabalho, paixão, coragem, educação, pioneirismo, disciplina – orientam a personalidade palestrina que segue, mais ou menos consciente dessa realidade, mas sempre à ela consonante.

Estando hoje num país onde, como nunca antes, mostra-se parte da sujeira de onde sentíamos tanto fedor, o orgulho em fazer parte da “família” que cultiva valores próprios fica ainda maior. E isso é visto na hora do hino.

Num protesto light contra um país afogado na corrupção e que enaltece a marginalidade (que na década de 60 representava apenas uma alternativa à regimes opressivos), o palmeirense declara em alto e bom tom: “Isso não me pertence!” adaptando o “Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeeeeeiras!!!” à música do hino nacional, transformando-o no Hino Nacional Palmeirense.

Numa sociedade em que falta referências morais, os times estão tomando essa bandeira. E o Palmeiras no caso, tem um conteúdo gigantesco, sendo uma das torcidas que mais preserva essa “herança cultural familiar” que forma a base da personalidade de nossa torcida. De forma prática, vê-se características em comum em todas as torcidas. As nossas, que não são poucas nem pequenas, que sejam enaltecidas!

Mas há um grande passo a ser dado antes disso. Exaltação da virtude sem respeito à diversidade se transforma rápido em preconceito. É importante cultivar ações de respeito e aceitação ao próximo, independente de sua condição. Valoriza-se as “ações”, sem descriminar as “pessoas”. Como bem sabemos a diferença não nos torna superiores nem inferiores apenas... diferentes!

Mas, que diferença... mesmo sabendo que deve dançar conforme a música, o palmeirense tem orgulho de “correr pelo certo”, num país dos “expertos”, sendo a força que aglutina uma sociedade polarizada, dividida entre coxinhas (bambis) e mortadelas (gambás).

Entre a elite e o proletário há uma família. Que tem orgulho de suas origens e seus valores. Que veste com paixão seu manto e suas cores. E que constrói seu caminho com as próprias mãos. Sendo referência. Sendo invejada. Sendo querida. Sendo amada. Palmeiras, iluminado seja teu caminho.


Gilson, caro fratello... esse post é em sua homenagem, palmeirense gente boníssima que, com certeza, nos deixou cedo demais e vai deixar saudades demais. Esteja na luz irmão, pois sempre caminhaste nela. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O novo futebol mundial

Fratellada, irmãos e irmãs de coração... já contei que estou lendo um livro que analisa o futebol, sob o ponto de vista estatístico. Além das obviedades, alguns postulados interessantes são considerados, como o que diz que um time pra ser campeão deve preocupar-se antes com a defesa, ou a afirmação de que um jogador muito fraco pode colocar todo esquema a perder, mais valendo não ter um jogador nota 4 do que ter um nota 9.

Tudo isso nos pode fazer ver o futebol de outra forma. O fato é que hoje, a maioria dos times de ponta  (Palmeiras incluso) utiliza softwares estatísticos que são usados não apenas pra fazer a medição do próprio time, mas também dos adversários (incluindo contratações). Alguns técnicos utilizam mais esses números. Outros ainda não aprenderam...

O fato é que o esporte tem se tornado uma ciência profundamente estudada, haja vista a dinheirama envolvida no processo. Quanto o jogador corre, por onde, como executa os fundamentos, pra quem passa, se não passa, se comeu direito, se dormiu, se penteou o cabelo... bem ou mal, existe uma leitura disponível.


Mas tudo isso passa por um gargalo. O motivacional. A cabeça do jogador. E aqui não se trata de ficar tratando feito criança e sim conseguir convergir o discurso, trazendo 100% de envolvimento e aumento de coesão, participação e colaboração. Isso é o verdadeiro futebol. Quando se joga essencialmente PARA O TIME, de forma inteligente e bem executada nos fundamentos.

Ontem por exemplo, um fraco time argentino vinha conseguindo segurar o time de melhor campanha na Libertadores (que corria o risco de ser eliminado tendo sofrido apenas 1 gol no campeonato!), até o momento que teve  um defensor expulso (sujo, tentou provocar o adversário com uma cotovelada, que reagiu de forma diferente do Gabriel...). Só pra constar, os argentinos terminaram a partida da forma habitual, derrotados e pancadeiros.


O grande mérito atual dos treinadores é: 1) saber fazer a leitura do enorme volume de dados estatísticos e aplicá-los sabiamente, de forma prática; 2) motivar o grupo de forma geral pra que o time jogue de forma dedicada, coesa e colaborativa. Tá ouvindio Cuca? Essa é contigo garoto!

Trocamos jogadores chave (jogador que EXIGE titularidade não cabe no pensamento de grupo) acreditando no conjunto, acima da individualidade. Acredito nesse futebol, e talvez por isso ele seja o esporte onde, por mais vezes, o “azarão” vence o “favorito”. Não somos azarões. Talvez entremos no Brasileiro como protagonistas. Mas não são os nomes isolados e sim a coesão do grupo que pode levar o time a ser campeão. Assim é o futebol de hoje.. Científico, estatístico e... mental.