segunda-feira, 12 de junho de 2017

12/06/1993 - O Fim da Fila. O Renascer das Conquistas

Se há algo pelo qual agradeço a Deus, é poder ter vivido esse dia. Pra quem começou a torcer em 1977, com recém completados 5 anos de idade, ser campeão só 16 anos após a escolha valeu ainda mais por um fato: não vencemos um time de interior qualquer, mas sim um dos maiores adversários, colocando-os de 4 perante nossa força. Ali, eu renasci.

A sensação de ser campeão com 21 anos de idade deve ter sido próxima daquela do virgem aos 40 depois de sua primeira noite. Ao sol brilha como nunca antes. Acordar no dia seguinte foi como Deus finalmente tivesse olhado pra você, após tanto tempo, após até mesmo de você duvidar se ele queria algo contigo, e dissesse: “Filho, eu também te amo. E agora chegou tua vez!”

Só de lembrar me veem as lágrimas. Foi uma redenção indescritível, como se a Luz do Universo finalmente nos atingisse. A Deus agradeço por esse dia. Nossa redenção não poderia ser diferente, tinha que envolver grandes atores, numa batalha épica. Assim foi, e quem viveu JAMAIS, repito, JAMAIS irá se esquecer do dia mais feliz de sua vida.

O dia. O "sai zica!"
Não fui ao primeiro jogo, apenas ao segundo. Quase perdi também o segundo pois antigamente as filas pra compra de ingresso eram tremendas. Só consegui meu ingresso no dia do jogo, avisado na noite anterior por um amigo – adversário, diga-se de passagem – que uma carga extra de 500 ingressos seria colocada a venda... no Parque São Jorge. E lá fui eu pra lá as 06 da manhã do dia 12/06. As 07 já estava lá, rodeado por adversários que eu só torcia pra que nem quisessem falar comigo. Mas foi tudo bem e de lá sai com meu ingresso.

Havia uma história pessoal. Após assistir tantos jogos do Palmeiras (também estive naquela final de 86 contra a Inter de Limeira, e na de 92 contra o SP), eu nutria uma pequena amargura de ter a impressão que eu era o pé frio. Sim, pois foi só eu começar a torcer e o time parou de vencer! E naquela semana eu não sabia se deveria ou não ir ao estádio, pra não zicar!

Mas aí na noite anterior rolou esse aviso. E eu pensei “bem, não fui no primeiro jogo e o time perdeu do mesmo jeito. Então agora eu vou e que se dane. Mesmo porque se ganhar sem eu ter ido, vou achar que NUNCA MAIS poderei ir ao estádio ou a uma final!” Munido dessa lógica, lá fui eu.

Observação sobre a semana do jogo:
O lance é o seguinte: o Palmeiras vinha com seu segundo ano de Parmalat, reforçado e bombado. Sabendo disso o adversário procurou tirar vantagem, nos apontando como FAVORITOS e com a “obrigação de ganhar” por conta dos investimentos. Coincidência com o que fazem hoje? Pois é... então, funcionou.

Na primeira partida o Palmeiras entrou nervosíssimo, sentindo tremendamente a pressão. Não conseguiu encaixar o jogo e saiu de campo derrotado por 1x0. Terrível. Mas aí aconteceu o que mudou tudo. O gol do Viola, imitando o porco jocosamente. AAaaahhhh... aí o jogo começo a virar.

De apontar-nos como favoritos, o pessoal da ZL começou a “tirar onda”, já nos (re) colocando na fila, talvez até mesmo (pros mais velhos), numa recordação de 20 anos antes, quando em 1974 o Palmeiras os deixou na fila que então lhes durava 21 anos.

E ESSA PROVOCAÇÃO era tudo o que precisávamos. Bem, essa provocação e a presença decisiva do Luxemburgo, que fez uma preleção fantástica. Assim, entramos no jogo com a faca nos dentes, sangue nos olhos, já tendo superado o sentimento da derrota. Já eramos vistos como derrotados, não tínhamos nada a perder. E quem não tem nada a perder tem muito a ganhar. E assim vencemos, estremptuosamente, colossal, imperiosa e categoricamente!!!!

Irmãos, de coração vos digo. Toda e qualquer interpelação que cite uma possível influência de arbitragem é completamente IRREAL e IGNORA OS FATOS, tais como ocorreram. 1) Uma eventual expulsão do Edmundo não nos afetaria, pois já estávamos vencendo e intenção era levar o jogo à prorrogação, na qual só precisávamos do empate. Ou seja, não precisávamos de mais gols. Que o Edmundo nem fez, pois jogol mal naquela partida (quem “deitou” foram Zinho, Evair e Edílson, além de uma zaga fantástica).

Assim, a “voadora no ar” que o Edmundo deu e só levou o amarelo é um argumento pífio pra dizer que a partida seria diferente. Basta assistir o jogo e será visto que o domínio do Palmeiras foi GERAL, haja vista que nosso gol saiu logo no primeiro tempo, pelos encantados pés do Zinho.

2) Dizem também de uma expulsão de um zagueiro, mas que as imagens corroboram sem a menor dúvida, após duas faltas claras e graves. E pior, NÃO CONSIDERAM a expulsão INJUSTA do nosso zagueiro Tonhão, após uma simulação grotesca do goleiro Ronaldo sobre uma pretensa cabeçada a qual ele jamais proferiu. Essa expulsão sim, que poderia ter sido perigosa. Mas não foi, pois a vitória era nossa e já estava escrita e não seria árbitro nem adversário nenhum no mundo que a tiraria de nós. Mas devo reconhecer por ter sido em cima de quem foi, tornou-se muito mais saborosa, épico, inesquecível.

Por isso presto aqui minhas homenagens a mais esse aniversário de 24 anos daquele que foi, com toda certeza, o dia mais feliz da vida de muita gente que nunca deixou de acreditar e sentia como ninguém, que aquele título de CAMPEÃO era seu, pelo mais justíssimo DIREITO DIVINO.

Assim foi e assim ficará, para todo sempre. Amém Palmeiras.

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