quarta-feira, 18 de abril de 2018

TEMPO e AMBIENTE


Funciona assim: o ser humano tem a tendência ao pensamento simplificado. A mídia joga com isso e torna a opinião pública ainda mais obtusa. E assim caminha a humanidade, na mediocridade e superficialidade.

Um dos principais problemas do brasileiro é a passionalidade, que torna qualquer planejamento um verdadeiro ato tragi-cômico. O brasileiro pensa de forma emocional se comparado ao racionalismo europeu. Ok, temos nosso jeito de ser. Mas desde que saibamos lidar com os prós e contras disso.

Então temos 2 situações. Um povo emocional e uma mídia que ganha com isso. Até aí tudo bem, mas e o resultado disso? Uma compreensão distorcida da realidade, baseada em obviedades e conceitos rasos, típicos de mesa redonda, com seu qualificadíssimo público.

80% do que acontece num time não vem à tona. Mal sabemos do que se passa e do que influencia diretamente nos resultados. Ignorantes disso, detêmo-nos no superficial. Dá-lhe simplificação e delas, a mais evidente: imaginar que o problema se resume a um fator, que invariavelmente acaba sendo o “maestro” da orquestra, o treinador. Que muitas vezes pode até ser, mas não da forma como imaginamos.

Já é PROVADO ESTATISTICAMENTE que a troca de treinador é pouco ou em nada produtiva a um time a médio e longo prazo. Conforme o caso traz até uma mudança inicial, que depois se assenta, voltando ao padrão anterior, ou ainda pior. A imprensa dá lenha à pressão sobre o infeliz, e depois ainda critica o time pela “dança de treinador”. E tudo isso com a torcida de platéia.

O torcedor brasileiro deveria entender que início de temporada sempre traz os times desentrosados. O Palmeiras mudou sua defesa por completo e também no meio campo. O time completamente diferente do ano passado, começou muito bem fez uma ótima campanha no Paulista e só o perdeu por ter sido roubado.

É normalíssimo que o time apresente falhas a serem corrigidas ao longo da temporada. O que não tem CABIMENTO é o torcedor não entender isso e exigir resultados a curto prazo, exigindo a cabeça do treinador caso isso não aconteça. Pior ainda, é ver o erro voltando a se repetir erro após ano, década após década.

O lance é o seguinte: seja o que acontecer o Roger DEVE ficar até a Copa, daqui a 2 meses. Se ao chegar nessa data o time estiver bem, ele ganha o mês de treinamento, caso contrário o Pameiras já buscará outro, até pra aproveitar esse periodo.

Mas uma coisa é fato: nossa torcida age emocionalmente e prejudica o ambiente dentro do clube, tornando a pressão - que apesar de normal é sempre um peso a ser lidado - algo praticamente insuportável.

Palmeirense: pense nisso e reflita. Somos apaixonados mas sejamos mais racionais, pra não deixar que a emoção torne o que já é difícil ainda mais complicado. Os treinadores precisam ter mais TEMPO e AMBIENTE pra que o trabalho frutifique. TEMPO e AMBIENTE. Assim a natureza nos ensina. Assim a dinâmica do futebol exige.

2 comentários:

  1. Corretíssimo amigo Galluzzi! Entra ano e sai ano é a mesma coisa. Início de ano montamos o elenco, contratamos treinador e começa o trabalho. Todos naquela expectativa de ganharmos tudo, imprensa enchendo a bola e junto à empolgação os resultados começam a vir. Até aí tudo lindo, o treinador é ótimo, zaga perfeita e ataque avassalador. Mas quando o primeiro tropeço acontece, principalmente num jogo decisivo, o tempo começa a fechar, imprensa descendo a lenha e no embalo do bonde da rede esgoto de televisão, a torcida já começa a apedrejar treinador, zagueiro que falhou e atacante que perdeu pênalti, conturbando o ambiente. De favorito e melhor time, somos taxados a time despreparado, mal treinado, desentrosado, amarelão, e por ai vai. O grande problema é, como você disse, que nossa torcida não sabe esperar, quer resultados imediatos e não aceitam derrotas, as vezes nem se quer empate. Não devemos também cair na pilha da maldita imprensa esportiva, que destila seu veneno pra desestabilizar nosso ambiente. Devemos pegar de exemplo, o time de Itaquera, que quando ano passado, na reta final do Brasileirão, começou a tropeçar. Eles acreditaram no trabalho do técnico e deram tempo e ambiente pra ele trabalhar, e assim conseguiram o título, mesmo que beneficiado, como sempre acontece. Se fosse no Palmeiras, a torcida teria pedido a cabeça do técnico e o mesmo seria demitido, desestabilizando ainda mais o ambiente e consequente perderíamos o título, como ocorreu em 2009. Mas é muito importante a diretoria ter confiança no trabalho do Róger e não dar ouvido à turma do amendoim, senão vamos fracassar novamente, como no ano passado. Abraços!!

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